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Terça, 03 de junho de 2025

Precisamos colocar gestores em cargos de gestão

Isso parece uma frase sem sentido para você? Pode parecer óbvio, mas quantas vezes você já viu alguém que passou anos como desenvolvedor, business analyst, designer ou especialista técnico se tornar, de repente, responsável por gerenciar um time ou até mesmo uma área inteira? Ou aquele desenvolvedor que criou um aplicativo de sucesso e, quase da noite para o dia, virou diretor da empresa?

Casos como esses são comuns em empresas de todos os tamanhos. E se você acha que isso acontece apenas no seu país, no seu setor ou na sua empresa, você está enganado. Isso acontece no mundo inteiro.

Então vou dizer novamente: precisamos colocar gestores em cargos de gestão. Vou esclarecer meu ponto abaixo:

  • Um gestor não é a pessoa que precisa conhecer cada regra de negócio envolvida no produto, ou cada request e response de uma parte específica do sistema. Para isso, temos business analysts, especialistas de produto e especialistas de domínio.
  • Um gestor não precisa conhecer cada detalhe de UI/UX, cada if e else no código, o que cada classe faz ou por que um banco de dados não está retornando a informação esperada. Para isso, temos designers, tech leaders, desenvolvedores, testers e architects.

Então o que faz um gestor?

Um gestor organiza atividades, processos, pessoas, prioridades e informações. Além disso, gestores são responsáveis por ajudar o time a entender o que deve ser feito, o que não deve ser feito e por quê. Também são responsáveis por tomar decisões, esclarecer trade-offs, gerenciar expectativas e explicar a direção para todas as pessoas envolvidas.

Quando falamos de informação, gestores são responsáveis por separar, organizar e comunicar as informações certas para as pessoas certas. Um desenvolvedor não deve receber as mesmas informações, no mesmo formato, que um CTO. Um stakeholder não deve receber o mesmo nível de detalhe que um time técnico. A comunicação precisa mudar de acordo com o público.

É exatamente aqui que muitas empresas falham. Elas promovem uma pessoa tecnicamente forte e esperam que ela saiba automaticamente gerenciar pessoas, prioridades, conflitos, expectativas, riscos e comunicação executiva. Mas excelência técnica e capacidade de gestão não são a mesma coisa.

Uma plataforma como o Saint Jude pode ajudar gestores nessa transição oferecendo mais visibilidade sobre o que está acontecendo no projeto: qualidade das tarefas, produtividade, custos, cronograma, riscos, desvios de sprint, performance do time e previsibilidade de entrega. Mas, mesmo com dados, o gestor ainda precisa saber como interpretar as informações, comunicá-las corretamente e tomar decisões com base nelas.

No entanto, ainda não apresentei as principais habilidades que um gestor precisa ter e que, muitas vezes, não são tão desenvolvidas em outros cargos:

As famosas soft skills

  • Uma soft skill é conseguir encontrar uma solução quando duas partes já estão cansadas de discutir e o problema não avança.
  • Uma soft skill é explicar a um cliente, de forma educada e clara, que uma solicitação completamente irracional não será atendida porque não faz sentido para o produto.
  • Uma soft skill é guiar o time em direção a uma entrega que pode abrir um novo mercado para a empresa, ao mesmo tempo em que protege o time de pedidos aleatórios vindos de todos os lados.
  • Uma soft skill é dizer não a um diretor, mesmo que isso crie um risco pessoal, quando uma solicitação não pode ser atendida porque o time já está em 100% da capacidade ou porque o pedido não faz sentido.
  • Uma soft skill é saber transformar informações técnicas em linguagem de negócio, para que executivos, stakeholders e times possam tomar melhores decisões.

Por todos esses motivos, quero reforçar um ponto: o papel de gestor pode ser aprendido, mas precisa ser aprendido. Ele não é um dom que aparece automaticamente depois de anos de experiência técnica, depois de construir um produto de sucesso ou depois que um aplicativo viraliza na internet.

Gerir é uma profissão. Exige método, comunicação, inteligência emocional, priorização, negociação, tomada de decisão e capacidade de criar clareza em meio à incerteza.

E para quem se interessa, existem cursos em universidades ao redor do mundo que ensinam como se tornar gestor. Também existem livros, certificações, mentores, frameworks e, principalmente, prática real.

Não faça o que todo mundo faz. Se você quer gerir, aprenda primeiro a gerir.

O que você acha? Você concorda? Dê um like neste artigo curto, comente no LinkedIn ou compartilhe nas suas redes sociais.

Até breve!

Erik Scaranello