Segunda, 02 de junho de 2025
Neste artigo, vamos abordar um problema que, na minha opinião, está mais relacionado à tomada de decisão do que à falta de ideias: como encontrar as soluções certas para os problemas do seu produto. Muitos times conseguem gerar ideias, mas o verdadeiro desafio é escolher quais delas merecem tempo, dinheiro e esforço de execução. Para apoiar esse processo, vamos falar sobre algumas ferramentas que podem ajudar você a tomar melhores decisões, como:
Mas antes, como de costume, preciso fazer alguns disclaimers importantes para considerar ao tomar uma boa decisão de produto.
O primeiro é: antes de procurar soluções, faça uma análise inicial para entender o mercado e o que seus usuários esperam do seu produto. Um bom artigo que pode ajudar você nesse processo é: “Como criar uma análise de mercado e evitar surpresas no lançamento do seu produto”
O segundo é que toda mudança em um produto ou projeto também criará mudanças nos processos ao redor dele. Como qualquer mudança, precisamos saber mapear, negociar e convencer as pessoas envolvidas. Aqui, explico como gerenciar stakeholders de forma mais eficaz: “Como usar a matriz de stakeholders para aumentar sua influência e melhorar a comunicação do projeto”

O terceiro ponto é o famoso “pensar fora da caixa”. No passado, eu sempre me perguntava o que essa expressão realmente significava. Com o tempo, descobri que uma das melhores formas de pensar fora da caixa é simples: conversar com as pessoas. Pessoas diferentes trazem experiências diferentes, problemas diferentes e formas diferentes de enxergar a mesma situação. Muitas vezes, é isso que nos leva a ideias que nunca encontraríamos sozinhos.
O quarto ponto é: tire as coisas do seu lugar habitual. Às vezes, mudar o propósito, o contexto ou o uso de um objeto, ideia ou produto pode ser o início de uma grande solução. Por exemplo, durante a pandemia, não era possível ir ao cinema da forma tradicional. Então alguém trouxe de volta a ideia de assistir a filmes em um estacionamento. Uma ótima ideia, certo?

O último ponto é: não volte para dentro das caixas rápido demais. No trabalho do dia a dia, depois de ter uma boa ideia, é fácil ser puxado novamente por reuniões, tarefas urgentes e pressão operacional. Encontre tempo para executar novas ideias, sempre lembrando que uma boa ideia nunca realizada é pior do que uma ideia média realmente executada.
Também é aqui que os dados de execução se tornam importantes. Uma ferramenta como o Saint Jude pode ajudar times a entender se uma ideia está ficando cara demais, se as tarefas criadas para a solução estão bem escritas, se o MVP está consumindo mais tempo do que o esperado e se riscos estão aparecendo antes que a solução chegue ao mercado. Criatividade é importante, mas visibilidade sobre a execução é o que ajuda a transformar uma ideia em resultado real.
Dito isso, vou passar para algumas ferramentas que podem ajudar você a gerar e organizar ideias. Começarei pela mais conhecida:
O brainstorming é, essencialmente, a geração de ideias por um grupo de participantes, sem julgar no início se elas estão certas ou erradas. Tudo é válido. O organizador traz um problema para o grupo. Exemplo:
- Precisamos dobrar as vendas do nosso site.
E então os participantes começam a compartilhar ideias:
- Precisamos oferecer um desconto de 10%.
- Precisamos ligar para cada usuário e oferecer um produto.
- Precisamos colocar no site um macaco dançando tango com um dos nossos produtos.
- Precisamos pedir para Bruce Springsteen escrever uma música sobre um dos nossos produtos.
Sim, algumas ideias estarão completamente distantes do que pode ser feito de forma realista. Isso é normal, e essas ideias não devem ser rejeitadas cedo demais. Em uma etapa posterior, o time pegará cada ideia e discutirá por que ela poderia ou não ser implementada, o que pode ser ganho, o que pode ser perdido e quais riscos estão envolvidos. É quase como usar a técnica do double diamond para geração de ideias. Escreverei outro artigo para facilitar o entendimento desse conceito: “How to use the double-diamond technique.”

Dobre uma folha de papel três vezes e depois abra novamente. Você terá oito espaços diferentes para começar seu exercício de Crazy 8’s. Vou explicar com mais detalhes:
No início, o organizador propõe um problema. Aqui, vou usar um problema diferente do inicial apenas para tornar a leitura mais agradável:
- Nosso cliente abandona o carrinho sem concluir a compra.
A primeira regra é: ninguém pode escrever frases nos espaços. Todos devem desenhar a ideia. Não importa se você desenha bem ou não. Pense nisso como um rascunho.
Segundo: o organizador dá 40 segundos para cada desenho.
Terceiro: não pense demais. A primeira ideia que vier à mente é a que você deve desenhar. Não perca tempo procurando a ideia perfeita. A primeira que aparecer é a que você desenha.
Quarto: ideias impossíveis são válidas e ajudam a desbloquear a criatividade.
Por último: ideias ruins podem ser melhoradas no próximo desenho. Você também pode pegar uma ideia de um colega e melhorá-la.

Depois, o organizador pega as ideias geradas e, como no brainstorming, discute com o time até chegar a uma, duas ou três ideias finais que podem seguir para a próxima etapa: o MVP. Deixo aqui um bom livro sobre ideias: Steal Like an Artist – Austin Kleon
Serei breve aqui porque já tenho outro artigo que explica o conceito de MVP em mais detalhes. Em resumo, nesta etapa criamos uma versão mínima e viável do produto e a testamos no mercado. Isso envolve a criação de hipóteses e o desenvolvimento do próprio MVP. Deixo aqui o link para o artigo: “Como criar uma análise de mercado e evitar surpresas no lançamento do seu produto”
Neste ponto, a principal pergunta não é apenas “o que devemos construir?”, mas também “como podemos validar isso com o menor esforço e o maior aprendizado possível?” Na execução de um projeto, o Saint Jude pode apoiar esse processo ajudando os times a comparar esforço estimado versus esforço real, identificar tarefas pouco claras, monitorar consumo de custos e cronograma, e detectar riscos antes que o MVP se torne maior do que deveria.
Durante o trabalho de geração de ideias para resolver um problema, é comum — quase inevitável — que mais de uma ideia passe pelo funil inicial do time. Nesse momento, cabe a nós escolher quais ideias devem ser implementadas primeiro e quais devem ficar para depois.
Aqui, trago a Matriz MVP, uma ferramenta que ajuda a categorizar ideias e tornar mais clara a ordem de implementação. A ideia é simples: criamos uma grade com as seguintes dimensões:
Depois usamos os quadrantes para decidir o que fazer com cada ideia:
No fim, posicionamos as ideias nos quadrantes de acordo com sua importância e urgência.

Explicação rápida:
A Matriz MVP se torna ainda mais forte quando combinada com dados. O Saint Jude pode ajudar os times a entender se uma solução é realmente urgente ou apenas parece urgente, se está consumindo orçamento demais do projeto, se impacta a previsibilidade do cronograma e se o time tem capacidade para executá-la sem criar novos riscos. Isso ajuda a transformar a priorização de uma discussão subjetiva em uma decisão mais baseada em evidências.
Depois disso, podemos usar o ciclo PDCA para controlar ajustes e melhorias. Em breve, escreverei um artigo sobre: “Continuous improvement and PDCA cycle.”
Chego ao fim deste artigo. Aqui, você aprendeu como brainstorming, Crazy 8’s, MVP e Matriz MVP podem ajudar a encontrar respostas melhores para os problemas do seu produto e do seu projeto. O objetivo não é apenas gerar ideias, mas escolher as certas, testá-las com disciplina e executá-las com visibilidade.
O que você achou? Você usa outras técnicas e gostaria de compartilhá-las? Dê um like neste artigo, comente no LinkedIn ou compartilhe nas suas redes sociais.
Até breve!
Erik Scaranello
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